16 março 2011

amar é . . .

    É quase uma lei, mas mesmo sendo lei, não é uma obrigação, é um desejo, uma realidade. É um direito, mas entretanto, também é um dever.
    Para além de entrega, é um voto de confiança, de valor. É acordar e adormecer a sorrir, chorar de tanta alegria, esconder o rosto com tanta mágoa, ter saudades por tudo e por nada, dizer palavras bonitas a toda a hora, contagiar os infelizes com a própria felicidade. É um querer maior que poder, uma sensação de bem-estar inexplicável, um poder incontrolável.
    Os olhos brilham, o coração bate mais forte, há borboletas a voar-nos na barriga. Tudo ganha outra cor, tudo tem cheiro a perfume e a flores, um perfume intenso, mas suave, um perfume agradavelmente contagiante, tudo é perfeito, tudo é descomplicado, tudo parece tão fácil.
    É quase um medicamento, quase como uma anestesia, que nos muda a vida.
    As discussões são compreendidas, encaradas como um obstáculo que nos faz aprender, que nos faz crescer, que nos faz amar mais, porque é nas discussões que entendemos que as pessoas são verdadeiramente importantes.
    E quando anoitece, ficamos na cama, a olhar o tecto, como se fosse o céu, como se, de lá vissemos as estrelas. A almofada é um ombro que nos acolhe e os lençóis, os braços que nos protegem.
    Amar é andar na rua e não encontrar becos sem saída, é olhar o horizonte e nem sequer imaginar o fim. Amar é ser e fazer alguém feliz, partilhar palavras e momentos. E agora, é um amar, mais que amar-te, é não querer parar de lutar, é um respirar constante, uma vida compartilhada, são tantas palavras e um só nome, uma só pessoa.

Rute Silva

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