01 abril 2011

perda .

    O vento levou tudo o que havia trazido, tudo o que há já tantos dias me deu. O sol já quase não brilha, a brisa já quase não passa, parece que o tempo parou. Parou como se a vida já tivesse também parado, como se já nem houvesse tempo. As flores multicolor, até essas já vejo a preto e branco ! E este odor, este odor a poeira, quando as minhas lágrimas caem no chão . . . Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar, sinto-me só, com tanta gente à minha volta e ninguém ouve os meus gritos de revolta. Rio por fora e choro por dentro, por dentro deste vazio tão vago quanto o infinito. O tempo passa, mas está parado, como um relógio sem pilha, como um deserto só, uma ilha. "Gaivotas em terra, tempestade no mar", mágoa no meu coração, tristeza na minha alma, mar de lágrimas nos meus olhos, uma estranha sensação, uma cruel denuncia, uma bárbara insinuação, uma pessoa apenas, entre tantas, num milhão. Levaram-me, levaste-me tudo. O sorriso que nasce nos meus lábios é a lágrima dura que me escorre na alma, e todos os sorrisos são punhais no meu coração, tal como "existem punhais no sorriso dos homens". Sinto-me estranhamente confusa, estranhamente distante, estranhamente diferente. Sinto-me fria como uma rocha, sensível como uma pena. Sinto-me fora de um mundo, que afinal não é o meu. Sinto-me a morrer, as forças estão no fim, os olhos estão semi-cerrados e não tardam a fechar, a minha cabeça anda às voltas, sem saber como parar, o meu coração está frágil, fraco, os membros latejam, quase sem força.
    Carente a tudo e distante de todos os carinhos, fico sentada nesta cadeira, com a cabeça debruçada sobre estes braços, sobre esta mesa, a olhar os ponteiros do relógio, as horas a passar e o tempo, ainda assim, parado. As pessoas já são todas iguais, as roupas todas semelhantes, as gargalhadas todas maqueavélicas e eu, no fim da linha, no fim de contas, valho um centavo, entre coroas douradas e jóias valorosas. E o valor que eu tinha, a confiança que tinha em mim, perderam-se, no dia em que eu perdi!
    Chegou a hora de cruzar os braços e contemplar reacções. Chegou a hora de mudar de lugar, de não estar na fila da frente. Chegou a hora de valorizar esta mágoa, mudar de roupa, mudar de pensamento. Chegou a hora de ser uma personagem que nunca pensei vestir. Chegou a hora de saltar do avião, tiras as asas e voar, em destino final, de pára-quedas. Chegou a hora de não ser eu , mas de pensar em mim.

Rute Silva
1 Abril 2011


1 comentário:

  1. escrevias tanto e demonstras-te tao pouco ah uns bons tempos...
    nao que nao goste, adoro mesmo esses teus textos, mas quando tives-te a oportunidade de marcar a diferença, nao o fizes-te, isso reflete-se netes textos cada frase Bonita Tua, e uma agulha no meu peito.
    Porque?
    Sao agulhas criadas por amor e paixao, que foram espetando conforme as duvidas aumentavam.
    Dizem que: " Se esquece mas nao se perdoa"
    mas tambem dizem que: " o amor e o tempo ajudam a sarar"
    Nao tem de ser de hoje para amanha, e aquilo que ja conversamos, continua de pe, Um Dia Um Dia...


    Nao sei o que me deu ja nao escrevia ah Bue de tempo, mas senti nessessidade agora. :)
    Beijo.

    Por: Anonimo!xD

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