14 outubro 2010

a sós .

O dia chega, o sol aparece lentamente. Vejo os seus raios entrarem pelo estoros, um raio de luz que encontra os meus olhos . Acordo a pensar no que sou , no que és, no que poderiamos ser. Toca aquela música que me faz pensar no que sinto, no que sinto por ti, no que sinto mas tu, talvez não sintas. Experimento uma sensação de angústia, de dor. É um sentimento impossível de explicar, um sentimento que de alguma maneira me consome. Consome o meu espaço , o meu corpo, o meu ser e consumir-me-há até que eu desapareça, até que eu seja apenas, uma ilusão.
Olho para o ecrã do objecto tecnológico a que chamamos telemóvel. No meio de poucas mensagens, não havia nenhuma tua, por isso, o resto não interessava, para além de uma fotografia cansada dos olhares, já ausente de cor e das horas, que teimavam em não passar.
Não existe nada, onde há sol, vejo chuva. Chuva fria, intensa que, no meio de tantos pingos me parece confusa. Confusa como a minha cabeça. Esquecida, como o meu coração.
Todos os dias me deito e sonho contigo na minha vida, mas acordo e não estás mais aqui. É como se estivesse no meio do deserto, com sede e não pudesse beber. Tu serias o oásis onde me iria perder. Mas depressa tudo desaparece. Foi apenas um sonho, mais um dos muitos em que tu entras.
Não quero mais dormir, porque sei que quando fechar os olhos tu vais estar lá, no mesmo sítio, no mesmo sonho, e será novamente mais um de muitos.
Gostava de acreditar. Acreditar que é real, mas não é. A vida não é mais um conto de fadas em que o princepe e a princesa ficam juntos para sempre, não é mais uma daquelas histórinhas que a minha mãe me contava ao embalar-me, na minha inocência. Eu não conhecia a vida, e mesmo depois de tanto tempo, ainda não sei se conheço. Quando penso estar bem, essa maldida, desgraçada e injusta vida teima em me deixar mal.
343 palavras que não fazem nada mudar. Eu poderia falar, mas de repente a minha boca seca, por falta de que alguém ame suficientemente as minhas palavras para não as deixar ir embora.
Tu não sabes o quanto me és, por mais que eu diga, nunca será suficiente para que percebas realmente a tua importância. Não és muito, és muito mais que isso!
Gastam-se as palavras e eu fico novamente aqui, sozinha, alimentada apenas por uma garagalhada que ouvi no 1º dia, num telefonema. E fico sozinha, à espera do dia em que acordarás e verás que tudo o que precisas está aqui.


rutesilva , 14.10.2010

1 comentário:

  1. Es Uma Poeta.

    Uma Doce Ambiçao,
    QUe está para alem
    do meu Coração.

    Teras sempre o Mesmo Lugar dentro do Meu Coração!

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